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Início - Diário - Décimo nono dia [02/09/2011]

 

Diário de bordo

Acompanhamento diário da Expedição.

Décimo nono dia [02/09/2011]

Postado por Alvaro Coutinho
Alvaro Coutinho
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em Sáb, 03 Setembro 2011 em Diário

Saimos de Araguanã bem cedo, um pouco antes das oito horas, imediatamente após a rotina de partida de todos os dias. Xambioá estava a pouco mais de vinte quilômetros à frente, mas o vento fez com que a viagem durasse mais que o desejado. Banzeirava bastante, quando avistamos as torres em cima de um morro, indicando o rumo onde estava a cidade tocantinense. Chegamos por volta de dez e meia. Para nossa total alegria, há conexão para os celulares e a Internet. Foi possível atualizar o site até 01 de setembro, além de dar notícias aos familiares.

Talvez, nosso maior problema até aqui tem sido a comunicação. Possivelmente um erro estratégico nosso, ao não providenciar aparelhos com chips de todas as operadoras possíveis, ou obter um desses equipamentos via satélite, que permitem estar conectado a todo instante, com boa qualidade. As pouquíssimas localidades onde conseguimos conexão ofereciam velocidade e estabilidade péssimas. Nem pensar em fazer upload de imagens ou vídeo. Mal e porcamente conseguimos atualizar texto, no servidor do site. São os percalços que enfrenta uma expedição que não tenha gordos patrocínios empresariais ou governamentais.

Almoçamos em Xambioá e por lá também abastecemos combustível e água potável. O Chicão, que inicialmente viria só até aqui, de repente se animou a continuar até Marabá. Contudo, ainda seria necessário contratar um guia para poder prosseguir. Tínhamos pela frente o que sabíamos ser o pior trecho de toda a viagem. As temidas corredeiras e cachoeiras de Santa Izabel.

Chicão fez contato com um conhecido guia local e assim foi possível contarmos com um dos, senão o, melhores piloteiros de Xambioá, o Juarez. O nome completo dele é Juarez Sousa Matos, e demonstrou na prática que faz justiça à fama. Conhecedor profundo do rio naquele trecho perigoso, só concordou em guiar-nos se levasse também a canoa dele, para dividir a carga do barco. "Com o peso que vocês levam e a potência de motor que tem, não passam", disse ele categórico. E assim foi feito. Passamos eu e o Paladini para a canoa dele, e ainda boa parte da carga. Tudo arranjado, saímos de Xambioá por volta de 13:30h.

Daí para frente a paisagem muda de forma abrupta. Morros altos com penhascos e pedreiras fazem as margens do rio. O Araguaia vai aos poucos sumindo em verdadeiros corredores de pedra basaltica escura. A sensação de descida é incrível e as águas correm de forma vertiginosa em alguns pontos críticos. A tensão se eleva entre nós, talvez pelo desconhecimento do que vem pela frente. Juarez é o único que segue firme e tranquilo, pilotando a canoa com maestria e em boa velocidade entre pedras, corredeiras e rebojos fortíssimos. Passamos as corredeiras de São Miguel e, já com umas duas horas de viagem chegamos ao lugar conhecido como São José dos Martírios, onde o Juarez fez uma parada, para nos mostrar estranhas figuras e símbolos rupestres, gravados na pedra dura e escura. Imagens que impressionam. O lugar fica fronteiro à sede de uma imponente fazenda, dotada de edificações belas, ainda que vistas à distância, inclusive com hangar e pista de pouso asfaltada. Segundo nosso guia, a propriedade pertence a um abastado cidadão de Araguaína (TO).

Após a breve parada, e devidas imagens gravadas, seguimos para a temida Santa Izabel, agora a não mais que uns quinze minutos de viagem, à frente. Já na passagem de São Miguel, o Paladini vinha alertando para o fato de o Chicão, que vem no piloto da Muiraquitã, estar muito distante. "Do jeito que ele vem, corre o risco de não ver por onde estamos passando, e acabar batendo em alguma pedra ou entrando em lugar errado", argumentou com toda a razão. Juarez por várias vezes reduziu a marcha, para que a Muiraquitã pudesse estar próxima, e assim terminamos chegando na entrada das Corredeiras de Santa Izabel. Eram um pouco mais de 16:00h, quando começamos a descida das temidas quedas.

Até onde pude observar, nenhum de nós, da Expedição, aparentava estar com medo. Havia alguma tensão, isso era inegável, mas a sensação dominante era de vibração; entusiásmo mesmo.

O panorama é um show sensitivo; visual, auditivo e impactante. O som das águas revoltas, a espuma branca das quedas e cortes nas pedras, os muitos e inúmeros canais estreitos, as profundidades insondáveis que podíamos apenas imaginar... o Araguaia saía dos até mais de mil e quinhentos metros de largura que já haviamos presenciado em alguns lugares, para apenas 10 metros, no canal navegável de Santa Izabel. É um espetáculo para o qual faltam palavras adequadas, para descrever. É preciso sentir; viver!

No final do trecho, o lugar conhecido como "três passagens falsas" a natureza nos reservava um espetáculo impressionante: ver as quedas d'água a menos de cinco metros de distância. Ali, segundo o guia Juarez, caso o piloto errasse a entrada por onde passar fatalmente perderia, no mínimo, a embarcação. Um último desnível espetacular, a abertura correta para passar, e pronto. Santa Izabel ficara para traz. Ainda haviam mais algumas pedras e trechos rápidos, mas eram coisa "pra criança", no dizer do bom Juarez. Ali, recebeu seu pagamento, despediu-se de todos nós e arrepiou caminho, de volta, por dentro da impressionante série de corredeiras e cachoeiras que parecia conhecer tão bem.

Com certeza saimos impressionados com a pujança do fenômeno geográfico e geológico que presenciamos e pelo qual estivemos envolvidos, mas um fato inusitado deu a nota jocosa que nos fez rir um bocado. O Chicão, que antes vinha falando em parármos em uma praia qualquer, no últimos metros da Santa Izabel, com o objetivo de pescarmos um Jaú, abundante naquele sítio, de repente mudou de opinião e parecia desejar ardentemente colocar a maior distância possível entre seu posto de piloto e as temidas quedas d'água.

Ainda passamos no pequeno patrimônio de Santa Izabel, TO, onde conseguimos adquirir gelo de uma simpática Senhora, e, já com a hora vencendo, buscamos uma praia onde acampar e passar a noite. Eram quase 18:15h.

Tivemos que empurrar barco na rasura, até achar um local razoável, mas por fim, pudemos armar nossas barracas e, comendo um cozido de Bargada, preparado pelo Chicão, comentar e nos divertir com as peripécias desse longo dia, o décimo nono de nossa aventura.

 

Veja imagens relativas ao décimo nono dia da viagem.

 

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